Eleições afegãs
As
eleições afegãs aconteceram de forma pacífica, sem que pudessem ser interrompidas por
ataques aos eleitores, cumprindo a meta da atuação da comunidade
internacional no país nos últimos meses. Neste sentido, o fortalecimento das
ações militares contra os rebeldes deu certo.
Teremos que esperar algumas semanas até que o resultado das eleições saiam e
para saber qual governo será formado. Mas, mesmo depois, será preciso manter a presenca das forças armadas internacionais durante um período prolongado,
caso o novo governo se decida por continuar com elas em seu território.
É difícil prever como a situação se desenvolverá. Tenho me envolvido
durante minha carreira diplomática nos problemas do Oriente Médio, do Iraque, da
Bosnia e do Kosovo, todos países que precisam de ajuda exterior. Todos casos
por si. Não todos resolvidos. Mas, nestes países e regiões é
possível imaginar uma solução baseada no desejo da população de viver em estados democráticos e seguros.
Depois de uma história de conflitos e de caos não existe uma base forte no Afeganistão sobre a qual podemos construir uma
solução estável e durável. Como todas as pessoas no mundo, a população afegã
quer segurança e prosperidade. Como chegar a esse resultado, por meio de qual
estratégia e quais táticas, será uma tarefa conjunta do novo Presidente com a comunidade
internacional.
Encontrei na sexta-feira passada, no Museu Nacional aqui em Brasília,
o senhor Jakob Kellenberger, Presidente do
Comitê Internacional da Cruz
Vermelha, durante uma apresentação de fotos que mostram o horror da guerra e o
papel da Cruz Vermelha em manter contatos com todos durante os conflitos para
prestar ajuda humanitária. A exposição das fotos continua por mais duas semanas. Elas
destacam o sofrimento humano e reforçam nosso dever de evitar guerras.
A Cruz Vermelha é uma organização muito importante e que
continua a trabalhar no Afeganistão, mesmo em áreas não controlada pelas forças
afegãs ou internacionais e que merece o apoio de todos. O Reino Unido é o segundo
maior doador.
Infelizmente, a guerra, às vezes, é a única opção. Depois da devastação da primeira guerra
mundial a idéia de uma segunda foi terrível. No entanto, os esforços de fazer um acordo
com o ditador Adolf Hitler em 1937 e 1938 não deram certo. Agradeço à geração de
meus pais por terem lutado contra Hitler. Agredeço ao Brasil de ter
contribuído com a vitória na Itália. Também não posso esquecer as ações dos
terroristas em Londres e em outros lugares nos últimos anos. Queremos evitar
que o Afeganistão tornasse, mais uma vez, um território onde os terroristas possam atuar
como eles queiram.
Esses não são assuntos fáceis. Uma das prioridades da nossa embaixada é
de cooperar com o Brasil na superação dos conflitos no mundo.
Posted at 10:21 24 Agosto 2009
by Alan Charlton
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