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Segunda-feira 24 Agosto, 2009

Eleições afegãs

As eleições afegãs aconteceram de forma pacífica, sem que pudessem ser interrompidas por ataques aos eleitores, cumprindo a meta da atuação da comunidade internacional no país nos últimos meses. Neste sentido, o fortalecimento das ações militares contra os rebeldes deu certo.

Teremos que esperar algumas semanas até que o resultado das eleições saiam e para saber qual governo será formado. Mas, mesmo depois, será preciso manter a presenca das forças armadas internacionais durante um período prolongado, caso o novo governo se decida por continuar com elas em seu território.

É difícil prever como a situação se desenvolverá. Tenho me envolvido durante minha carreira diplomática nos problemas do Oriente Médio, do Iraque, da Bosnia e do Kosovo, todos países que precisam de ajuda exterior. Todos casos por si. Não todos resolvidos. Mas, nestes países e regiões é possível imaginar uma solução baseada no desejo da população de viver em estados democráticos e seguros.

Depois de uma história de conflitos e de caos não existe uma base forte no Afeganistão sobre a qual  podemos construir uma solução estável e durável. Como todas as pessoas no mundo, a população afegã quer segurança e prosperidade. Como chegar a esse resultado, por meio de qual estratégia e quais táticas, será uma tarefa conjunta do novo Presidente com a comunidade internacional.

Encontrei na sexta-feira passada, no Museu Nacional aqui em Brasília, o senhor Jakob Kellenberger, Presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, durante uma apresentação de fotos que mostram o horror da guerra e o papel da Cruz Vermelha em manter contatos com todos durante os conflitos para prestar ajuda humanitária. A exposição das fotos continua por mais duas semanas. Elas destacam o sofrimento humano e reforçam nosso dever de evitar guerras.

A Cruz Vermelha é uma organização muito importante e que continua a trabalhar no Afeganistão, mesmo em áreas não controlada pelas forças afegãs ou internacionais e que merece o apoio de todos. O Reino Unido é o segundo maior doador.

Infelizmente, a guerra, às vezes, é a única opção. Depois da devastação da primeira guerra mundial a idéia de uma segunda foi terrível. No entanto, os esforços de fazer um acordo com o ditador Adolf Hitler em 1937 e 1938 não deram certo. Agradeço à geração de meus pais por terem lutado contra Hitler. Agredeço ao Brasil de ter contribuído com a vitória na Itália.  Também não posso esquecer as ações dos terroristas em Londres e em outros lugares nos últimos anos.  Queremos evitar  que o Afeganistão tornasse, mais uma vez, um território onde os terroristas possam atuar como eles queiram.
 
Esses não são assuntos fáceis. Uma das prioridades da nossa embaixada é de cooperar com o Brasil na superação dos conflitos no mundo.

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