Um destaque na vida de um embaixador é a visita de um ministro do seu país. Nesta semana temos no Brasil Hilary Benn, Ministro do Meio-Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais.
Estamos aproveitando a visita para falar com ONGs e ministros do governo federal e governos estaduais sobre mudanças climáticas, agricultura e pecuária, biocombustíveis e biodiversidade (2010 e o ano da biodiversidade).
No momento estamos visitando a Serra dos Órgãos no Estado do Rio de Janeiro para aprender como essa região lida com a sua biodiversidade. Também é uma oportunidade de passar algum tempo fora do escritório!
Posted at 09:07 17 Novembro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
Evento da Organização das Cooperativas Brasileiras
Participei na terça-feira passada em Brasília do início de um evento da Organização das Cooperativas Brasileiras.
Meu pai trabalhou toda a sua vida no movimento cooperativo, 54 anos no mesmo lugar no Reino Unido. Durante a sua vida as lojas do movimento tinham uma grande importância ao assegurar a qualidade dos produtos e preços razoáveis. Nos últimos 30 anos outras cadeias do setor privado tem sido de maior importância. Mas eu acho que a ideia do movimento ainda é forte em meu pais.
O assunto do evento em Brasília foi o acesso dos produtores ao programa do Mecanismo do Desenvolvimento Limpo. Ouvi de vários brasileiros que o MDL é difícil de entender. Por isso a embaixada decidiu cooperar com a OCB num evento para explicar e ajudar.
Leia o discurso que fiz no evento aqui.
Posted at 10:43 13 Novembro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
Visita do Presidente Lula a Londres
Passei a última semana em Londres. Foram três dias brasileiros.
Na quarta-feira o Presidente Lula e seus ministros assistiram à abertura do primeiro escritório estrangeiro do BNDES em endereço nobre na City de Londres. Depois ele visitou um outro endereço bem-conhecido: a 10 Downing Street, onde fica o gabinete e a residência oficial do Primeiro Ministro, para uma conversa com Gordon Brown. A ministra Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega o acompanharam. Os tópicos incluíram a reunião em Copenhague, para enfrentar o aquecimento global, e o trabalho do G20.
Na quinta-feira, o Financial Times e o Valor Econômico organizaram um seminário sobre as oportunidades para investir no Brasil. Os ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, deram palestras. Impresionante o otimismo com relação ao futuro da economia brasileira. O Presidente Lula falou no final do evento. Foi um discurso brilhante - sem texto escrito - que destacou a recuperação da confiança dos brasileiros.
O Presidente visitou, em seguida, a Rainha no Palácio de Buckingham.
De noite ele foi recebido num jantar na Banqueting House para receber o prêmio anual da Chatham House, que o escolheu como líder internacional do ano. Ele também fez um discurso, mas desta vez escrito.
Na sexta-feira, o Lorde Mayor de Londres ofereceu um almoço na Mansion House para parabenizar o BNDES e o BMF/BOVESPA por sediarem-se na City. Londres deve se reinventar frequentemente para se tornar um dos mais importantes centros financeiros do mundo. E uma boa notícia é que estas instituições brasileira escolheram Londres.
Eu aproveitei minha passagem em Londres também para estabelecer novas oportunidades de cooperação bilateral esportitiva.
Para um embaixador semanas como essas tem um valor grande por causa das opartunidades de falar durante os eventos com os ministros e empresários brasileiros.
Posted at 13:03 09 Novembro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
Nos últimos dias em Brasília, várias pessoas me perguntaram sobre o significado da flor (uma papoula) que estava na lapela do meu paletó.
Esta é uma tradição britânica ligada com a comemoração do Dia do Armistício no dia 11 de novembro, a data do fim da Primeira Guerra Mundial. A papoula representa os campos na Bélgica e na França onde cresciam essas flores durante a guerra. Milhões de soldados morreram ali.
Hoje em dia nós honramos a memória de todos que morreram em todas as guerras do século XX, não só nas guerras mundiais mas também nas operações das Nações Unidas, etc. Na data, há uma cerimonia na rua Whitehall em Londres, em frente do Ministerio das Relações Exteriores do Reino Unido, na qual participam a Família Real, o Primeiro Ministro e outros líderes políticos e militares, bem como grupos de veteranos das guerras. Exatamente às 11 horas, temos dois minutos de silêncio para reflexão sobre o sacrifício dos que morreram em nome de todos e também sobre a importância de evitar conflitos (um motivo fundamental da criação da União Europeia).
Nós recebemos as papoulas de pessoas (às vezes veteranos) nas estações de trem, nos shoppings e no trabalho, e doamos dinheiro para apoiar os veteranos e suas famílias. É impressionante o grande número de pessoas que fazem isso, inclusive entre os jovens que não têm familiaridade com as duas guerras mundiais.
No dia 8 de novembro, participarei de uma cerimônia na catedral anglicana de São Paulo, e lerei um trecho da Bíblia. No dia 11, participarei de uma cerimonia na Embaixada do Canadá em Brasília - o embaixador canadense inaugura um monumento especial e os convidados colocarão coroas de flores no monumento.
Posted at 15:16 30 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [1]
Comecei esse blog com a ideia de mostrar aos outros o que um embaixador faz. Na última semana, fiz uma coisa rara - uma visita em comitiva com um grupo de embaixadores. Visitamos o Estado de Pará (as cidades de Marabá, Santarém e Belém), convidados pela governadora Ana Julia Carepa.
O Pará esta enfrentando um grande desafio. A governadora nos disse que, no início de seu mandato, 50% da população não tinha acesso a água potável, um indicador da pobreza de uma grande parte da população. Vimos os esforços em Marabá para aumentar a industrialização e ouvimos da empresa Vale os planos para explorar a riqueza mineral da região. Tudo isso é essencial para gerar renda e emprego. Ao mesmo tempo, a governadora nos disse que seu governo tenta introduzir um modelo de desenvolvimento diferente, baseado em um modelo de baixo carbono. O Pará desmatou nos últimos anos mais do que os outros estados da Amazônia. Agora, um processo de cadastramento de assentamentos esta sendo feito. Aliada à educação e a uma maior fiscalização (e, muito importante, com incentivos para apoiar alternativas ao desmatamento, inclusive fundos gerados no exterior), essa medida poderia ajudar o Pará a atingir as metas para reduzir o desmatamento rapidamente.
A beleza do estado foi ilustrada por nossa visita a uma Escola da Floresta na vizinhança de Santarém. Visitamos também no Rio Tapajós o barco de Saúde e Alegria, que vai a cada dia a uma comunidade ribeirinha, oferecendo serviços médicos à população; um palhaço alegra as crianças! O Príncipe Charles visitou esse barco durante sua ida ao Pará em março. Ele ficou impresionado com o profissionalismo e a organização do projeto, que começou graças ao dinheiro de uma ONG holandesa, mas que está recebendo mais apoio do município a cada ano que passa.
No sábado, tive a honra de ser recebido no Comando Militar da Amazônia em Manaus. Aprendi muito sobre o papel do exército na Amazonia. Não é fácil operar uma organização que tem postos a mais de 4000 quilômetros do centro de operações, acessíveis apenas pelos rios e às vezes de aviao. Visitei também um centro onde os soldados recebem treinamento sobre luta e sobrevivência na floresta. Foi muito interessante aprender sobre o uso de várias árvores, frutas e plantas da floresta. Cumprimentei também o mascote da instituição - uma onça!
Posted at 09:00 29 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
O Rio de Janeiro do passado e do futuro
Participei ontem de uma homenagem ao Sr. Eike Batista que foi escolhido como "Personalidade do Ano de 2009" pela Câmara Britânica de Comércio, no Rio de Janeiro.
O evento foi memorável. Comemoramos a paixão e a dedicação de Eike pelo Rio - seu engajemento em projetos chave na cidade como a recuperação do porto, o futuro do Hotel Glória, seu papel no meio-ambiente, especialmente no saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas, seu apoio extraordinário à campanha Rio 2016.
Foi um privilégio lhe apresentar o troféu, desenhado para celebrar a sua generosidade.
O localização do evento tinha, também, um significado especial para mim. Estávamos no Palácio da Cidade, em Botafogo, que era, antigamente, a residência do embaixador britânico antes da transferência da capital federal do Rio para Brasília. A sala de jantar é simplesmente magnífica. Tentei imaginar os eventos que aconteciam ali no período no qual o Rio ainda era a sede das embaixadas.
Nada contra Brasilia - uma jovem cidade bem-sucessida. Mas e impossível negar que o Rio é uma cidade maravilhosa e não deveria ser levado a mal se os embaixadores atuais de vez em quando sonhassem morar ali.
A violência da sexta-feira passada no Rio de Janeiro nos lembra mais uma vez o grande desafio enfrentado pelos cariocas. Os Jogos Olímpicos em 2016 oferecem uma oportunidade de melhorar a situação. Mas não é por meio de eventos esportivos - embora tão importantes - que o Rio se tornará a cidade que os cidadãos querem. O Governador disse, depois do ocorrido, que seria possível garantir a segurança dos Jogos Olímpicos por meio da presença de forças de segurança adequadas, mas sua meta seria mudar a situação de forma permanente.
Ainda tenho minha camiseta "Eu amo Rio" do dia em que a cidade foi escolhida sede das Olimpíadas.
Posted at 09:55 22 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [1]
Escrevi recentemente sobre a década que vem ser a dos grandes eventos mundiais a serem sediados no Brasil e no Reino Unido - Londres 2012, Brasil 2014, Rio 2016 e - se for escolhido - Inglaterra 2018 (Copa do Mundo).
Hoje participei de uma outra festa do esporte no qual se destacam os dois países: a corrida de F1 em Interlagos. Esporte de altíssimo nível. No início parecia que Rubens Barrichello ia prolongar o campeonato de 2009 até a última corrida em Abu Dhabi. Mas ele não teve sorte. Jenson Button avançou do décimo quarto lugar para o quinto, suficiente para assegurar o campeonato.
Tive a oportunidade de felicitar Ross Brawn e Nick Fry. Quem teria aceditado no início deste ano que uma equipe nova superaria Ferrari, McLaren e as outras?
Nosso Consulado-Geral organizou um evento na última quinta-feira sobre engenharia avançada e incluiu um carro de F1. O Reino Unido é o centro de tecnologia mais importante das equipes da categoria. Nos anos que vem outros países apresentarão competição cada vez mais impressionante. Mas isso não vai diminuir a paixão especial dos dois países por esse esporte. Eu assisti só duas corridas - Interlagos em 2008 e 2009 - e houve dois campeões do mundo britânicos. Será que no ano que vem temos um campeão brasileiro?
Posted at 07:23 19 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
O uso da esfera digital na Embaixada
Posted at 08:55 16 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
Há menos de dois meses para Copenhagen as discussões se intensificam. Esta reunião, conforme mencionado no Planeta Sustentável “é o evento mais importante da atualidade para o combate às mudanças climáticas”.
As reuniões em Bancoc mostraram que ainda existem pontos importantes de divergência entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Entretanto, há sinais de que um acordo é possível e de que algumas nações estão comprometidas com metas ambiciosas.
Um importante fator que me faz crer que um acordo global ambicioso é possível é a mudança de posição de países como Estados Unidos e China. Os Estados Unidos contam com um projeto de lei sobre mudanças climáticas em tramitação no Senado. A China começou uma verdadeira revolução verde, aumentando substancialmente os investimentos em energias renováveis e assumindo publicamente o compromisso de reduzir suas emissões de modo notável nas próximas décadas.
Não menos importante, o Brasil está assumindo a posição de liderança que sempre pareceu ter nesta questão. O setor produtivo brasileiro tem se mostrado interessado numa mudança para uma economia de baixo carbono e em trabalhar com o governo para que reduções efetivas nas emissões sejam conseguidas.
Os jornais têm noticiado também as ações do governo brasileiro para lidar com as mudanças climáticas. Inclusive que metas para serem apresentadas em Copenhagen já estariam sendo discutidas por ministros de Estado e pelo próprio presidente Lula.
Ainda há tempo. Antes de Copenhagen ainda acontecerão reuniões importantes, como a do Fórum das Maiores Economias (MEF) em Londres essa semana e outra reunião do Conselho das Partes no início de novembro em Barcelona. Esses encontros, especialmente o MEF, têm a chance de já adiantar acordo e convergências para a COP-15 em dezembro.
A jornalista Míriam Leitão visitou recentemente o Reino Unido e hoje, como parte do Blog Action Day, fez um apelo emocionante para a necessidade de pensarmos juntos sobre a questão.
Posted at 12:07 15 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [1]
Nações Unidas discutem Tratado de Comércio de Armas
No dia 5 de outubro, as Nações Unidas discutiram os próximos passos para a elaboração de um Tratado de Comércio de Armas, que definirá critérios comuns para exportação de armamentos. O objetivo é impedir que zonas de conflito, terroristas e regimes que abusam dos direitos humanos tenham acesso a armamento. Cada país vai definir seu próprio sistema de controle de exportação baseado nos critérios comuns do tratado – o que vai fazer com que nenhum país tenha sua soberania afetada. Acredita-se que o tratado deva estabelecer um sistema transparente que não detenha a exportação de armas legítimas ou infrinja seu controle doméstico.
O Brasil é um parceiro fundamental para o Tratado de Comércio de Armas e o apoio do presidente Lula tem sido muito importante. Assim como Reino Unido, o Brasil é um fabricante de armamentos que almeja um tratado global justo e transparente, que não afete negativamente a segurança e os direitos humanos. A experiência brasileira no controle de pequenos armamentos já está sendo compartilhada por meio do trabalho de ONGs, como a Viva Rio. O envolvimento do Brasil no apoio ao Tratado de Comércio de Armas mostra que esta não é preocupação apenas dos países do Norte, mas sim uma questão global.
Nas Nações Unidas, a grande maioria dos países apoia a idéia de um Tratado de Comércio de Armas. Na última votação em relação ao assunto, em dezembro de 2008, 133 representantes votaram em favor da resolução "Em Direção ao Tratado de Comércio de Armas". Enquanto somente 19 abstiveram-se e 1 votou contra. Alguns países ainda têm preocupações sobre detalhes do texto final, mas existe um consenso geral sobre a necessidade de um mecanismo efetivo que promova uma união legal.
Se conquistarmos isso, gerações futuras serão gratas pela nossa consideração em relação ao uso de armas em guerras civis, terrorismo e abuso dos direitos humanos.
É importante que não somente governos, mas os cidadãos se envolvam nesse debate. Uma forma de apoiar esse debate é participando da campanha eletrônica "Support an Arms Trade Treaty" (Apoio um Tratado de Comércio de Armas) http://twibbon.com/cause/Support-an-Arms-Trade-Treaty/Join
Eu apoio, e você?
P.S. Leia o post abaixo sobre como o Reino Unido tem trabalhado essa questão.
Posted at 11:42 08 Outubro 2009 by Alan Charlton | Comentário [0]
